CENÁRIO EXTERNO

No cenário internacional, o mês de agosto se mostrou agitado com diversos acontecimentos políticos. Tivemos o acirramento da crise política na Venezuela, com a instauração de uma assembleia constituinte convocada pelo governo de Nicolas Maduro e eleita em uma votação que foi boicotada pela oposição. Essa assembleia reivindica os poderes do parlamento com maioria oposicionista. A comunidade internacional em sua grande maioria não reconhece esse processo como legitimo e os Estados Unidos estabeleceram uma série de sanções econômicas à nação latina americana, petroleiras do país e alguns apoiadores de Maduro.

Também ocorreu acirramento das tensões entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Questões envolvendo a pequena nação asiática são envoltas em apreensão devido ao seu fechamento político, ao conflito entre as duas Coreias nunca ter sido resolvido e as armas nucleares.

Caças norte-americanos e sul-coreanos (Republic of Korea Air Force/Yonhap/Reuters)

Caças norte-americanos e sul-coreanos (Republic of Korea Air Force/Yonhap/Reuters)

Inicialmente o conflito estava no plano diplomático e verbal, com novas sanções econômicas impostas pela ONU e como resposta a apresentação do plano norte coreano para atacar bases americanas na região, sendo contrapostas rapidamente pelo presidente norte americano Donald Trump, alegando que os EUA já tinham resposta militar pronta para contra-atacar a Coreia do Norte. No final do mês a questão tomou contornos mais bélicos com o lançamento, por parte da Coreia do Norte, de um míssil balístico que sobrevoou o Japão e caiu no Oceano Pacifico. Esse evento gerou condenação dos países da região e como resposta os EUA e a Coreia do Sul passaram a realizar manobras militares na zona de fronteira entre as duas Coreias.

Na economia americana os dados relativos ao emprego continuaram positivos em julho, quando houve criação de 209 mil vagas, levando a taxa de desemprego retornar a mínima histórica, de 4,3%. Já em agosto foi observada uma pequena reversão nessa tendência, pois foram criadas 156 mil vagas e a taxa do desemprego subiu para 4,4%.

Com relação aos juros, não ocorreram reuniões do Federal Reserve (Fed) para decidir sobre a política monetária no último mês. Na última reunião a taxa de juros americana se manteve em entre 1% e 1,25%. A próxima reunião está marcada para o dia 20 de setembro e o mercado espera que não ocorra alteração na taxa de juros americana.

CENÁRIO INTERNO

O cenário interno foi agitado no mês de agosto, com eventos de destaque no congresso e anúncios importantes do governo federal. No dia 2 de agosto, após o final do recesso parlamentar, a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Temer foi votada no plenário da Câmara dos Deputados.

O parecer de autoria do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ), que recomendava a rejeição da denúncia, foi aprovado no plenário da Câmara por 263 votos a favor, 227 votos contrários, 2 abstenções e 20 ausências.

Câmara dos Deputados após votação que decidiu pelo arquivamento da denúncia contra Temer (Evaristo Sá/AFP)

Câmara dos Deputados após votação que decidiu pelo arquivamento da denúncia contra Temer (Evaristo Sá/AFP)

Apesar da vitória o governo não teve muito o que comemorar. Nos dias anteriores à votação ocorreu um trabalho intenso nos bastidores, de forma a conseguir um placar elástico e mostrar força no congresso para aprovação das reformas, porém, o resultado alcançado não foi muito além da maioria simples. O governo também trabalhou para recompor e compatibilizar a sua base de apoio, tendo em vista que metade da bancada do PSDB, partido que detém o controle de quatro ministérios, votou contra o presidente, o que aumentou a pressão de outros partidos mais fiéis ao governo por maior participação ministerial.

No plano fiscal, depois de alguns dias de expectativas, em 15 de agosto o governo federal anunciou a mudança das metas de resultado primário do governo central de 2017 e 2018. As metas, que eram de déficit de R$ 139 bilhões e R$ 129 bilhões respectivamente, foram alteradas para déficit de R$ 159 bilhões. As novas metas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso, inicialmente pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e em seguida pelas duas casas.

De acordo com o Ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, após a aprovação da revisão da meta fiscal no Congresso, o governo deve descontingenciar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões do orçamento para atender órgãos públicos, que estão funcionando no limite das suas condições financeiras e necessitam de complementação orçamentária.

Ministro da Fazenda Henrique Meirelles e ministro do Planejamento Dyogo Oliveira. (Clésio Rocha - Ascom/MP)

Ministro da Fazenda Henrique Meirelles e ministro do Planejamento Dyogo Oliveira. (Clésio Rocha – Ascom/MP)

Isso foi resultado da dificuldade observada no cumprimento da meta anterior. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles argumentou que a nova meta é o mesmo resultado observado em 2016 e a alteração não é fruto de aumento nos gastos e sim de queda na arrecadação. A queda na inflação de forma acentuada prevista quando definidas as metas anteriores foi a justificativa para a diferença observada na arrecadação.

No mesmo anúncio foram divulgadas medidas de corte de despesas, como a redução de cargos públicos, congelamento de reajustes de funcionários comissionados, redução do salário inicial de servidores públicos e aumento da contribuição previdenciária dos funcionários públicos federais. Também foram anunciadas medidas para aumentar a receita em 2018, como o aumento da tributação de fundos exclusivos.

No final do mês de agosto o governo federal sinalizou a intenção de privatizar a Eletrobrás. A Eletrobrás é uma sociedade de economia mista, de capital aberto e atua na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Atualmente está sob controle acionário do governo federal. A empresa incorreu em prejuízos nos últimos anos, para os especialistas, causados pelas mudanças de regulamentação e interferências governamentais no setor elétrico realizadas pelo governo anterior.

O anuncio foi realizado pelo Ministro de Minas e Energia (MME), Coelho Filho, de que o ministério vai propor ao Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) a redução da participação acionária da União na companhia, aos moldes do que ocorreu com a Embraer e a Vale no passado. De acordo com o MME, a União permanecerá com participação na companhia, de forma a continuar recebendo dividendos, e manterá o poder de veto na administração para preservar a atuação do governo nas decisões consideradas estratégicas no setor.

O anúncio foi muito bem recebido pelo mercado. Com a expectativa de menor ingerência política na companhia após o processo, as ações ordinárias da Eletrobrás dispararam 49,3% no dia seguinte ao anuncio, maior alta diária da história da empresa. Com isso, a companhia ganhou R$ 9 bilhões em valor de mercado e passou a ser avaliada em R$ 29,3 bilhões. Essa valorização dos papéis da Eletrobrás impulsionou o Ibovespa, que subiu 2%, chegando aos 70.011 pontos, maior patamar desde janeiro de 2011.

De certa forma incentivado pela boa recepção do mercado, no dia 23 de agosto o governo federal anunciou um pacote de 57 projetos que serão incluídos no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) a serem vendidos ou concedidos a iniciativa privada. O conselho do PPI aprovou a inclusão de R$ 44 bilhões de investimentos a serem contratados até o final de 2018. Entre os projetos estão aeroportos, sendo o de Congonhas o principal; portos, com terminais em Paranaguá, Miramar e Belém; duas rodovias federais; uma hidroelétrica; além da Casa da Moeda e da Lotex (raspadinhas da Caixa), com editais previstos para o final de 2018.

Durante o anuncio, o Secretário Geral da Presidência e responsável pelo PPI, Moreira Franco, disse que o governo busca um novo modelo de financiamento das obras de infraestrutura através de debentures. De modo que o BNDES não seja o único financiador, como acontece em grande medida atualmente, para isso deve contar com a participação da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do mercado financeiro.

  • ATIVIDADE ECONÔMICA

O resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre de 2017, e consequentemente do primeiro semestre, foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º primeiro de setembro. O PIB alcançou R$ 1,639 bilhão no trimestre, em valores correntes. Com relação ao trimestre anterior ocorreu um crescimento de 0,2%. Na comparação com o primeiro semestre de 2017 no mesmo período de 2016, se observou variação nula (0,0%).

Pela ótica da oferta, o setor de Agropecuária que havia sido o maior responsável pelo crescimento no primeiro trimestre, registrou variação nula (0,0%); a Indústria teve variação negativa de 0,5%, positiva apenas na Extrativa Mineral; e os Serviços, crescimento de 0,6%, maior responsável pelo resultado global positivo, puxado principalmente pelo Comercio (crescimento de 1,9%).

Já na ótica da despesa, o Consumo das Famílias cresceu 1,4%, primeiro resultado positivo após nove trimestres de queda, foi o maior responsável pelo crescimento no trimestre; Despesas do Governo e Investimentos (Formação Bruta de Capital Físico) caíram 0,9% e 0,7%, respectivamente; o setor externo também contribuiu positivamente, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 0,5% e as Importações de Bens e Serviços reduziram 3,5%.

Os indicadores disponíveis anteriormente sobre os meses do trimestre indicavam essa tendência de ocorrer ligeiro crescimento do PIB no segundo trimestre do ano, em comparação ao primeiro trimestre de 2017. Os relativos a abril indicavam pequeno crescimento. Os que tratam do mês de maio não se mostraram neutros, e por fim, os acerca do mês de junho, que serão expostos a seguir, voltaram a ser positivos.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador de atividade econômica elaborado pela autoridade monetária e encarado pelo mercado como uma previa do PIB relativo ao mês de junho, registrou alta de 0,5%, na série com ajustes sazonais. O resultado de maio foi revisado, de queda de 0,51% para retração de 0,37%. Com isso, no segundo trimestre o indicador acumulou alta de 0,25%, contra crescimento de 1,22% no primeiro trimestre. O resultado acumulado em doze meses registra baixa de 2,03%. O indicador acumulado apresenta comportamento mais estável e próximo ao PIB oficial do que o indicador mensal.

A produção industrial em junho de 2017, segundo a Pesquisa Mensal da Industria – Produção Física (PMI-PF) do IBGE, divulgada no dia 1 de agosto, mostrou variação nula em relação ao mês anterior, na série com os ajustes sazonais, quebrando a série de dois meses seguidos na produção, quando avançou 2,5%. Entre os ramos pesquisados, 12 dos 24 apresentaram resultados negativos no mês. No ano, o índice acumula acréscimo de 0,5% e em doze meses recuo de 1,9%.

O comércio varejista, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, avançou 1,2% em junho, na comparação com maio em volume de vendas, e 0,8% em receita nominal, com os ajustes sazonais. No acumulado em doze meses o indicador de volume acumula queda de 3% e o de receita alta de 3,2%.

Já o setor de serviços, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços, também do IBGE, mostrou crescimento de 1,3% no volume de serviços prestados em junho na comparação ao mês anterior, já descontados os efeitos da sazonalidade e com o resultado de maio revisado para crescimento de 0,5%. Assim o acumulado do ano ficou em -4,1% e em doze meses em -4,7%.

Com relação ao mercado de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho, em julho o Brasil criou 35,9 mil empregos com carteira assinada. O saldo positivo foi resultado de 1.167.770 admissões contra 1.131.870 demissões no mês. É o quarto mês seguido com resultado positivo e superior aos 9,8 mil criados em junho. A mesma estatística acumula saldo positivo de 103 mil vagas no ano e negativo de 656 mil vagas em doze meses.

No dia 31 agosto foram divulgados os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad-Contínua) relativos ao trimestre encerrado em julho. Os dados indicaram continuidade da tendência de queda na taxa de desocupação e número de desocupados. O número de desocupados caiu de 13,4 milhões em junho para 13,3 milhões em julho. Já a taxa de desocupação caiu de 13% para 12,8%. Observando os demais dados da pesquisa, é possível ver que o rendimento médio se manteve estável e houve uma queda na formalização, com decréscimo no número de empregados com carteira assinada no setor privado, frente ao aumento no número de empregados sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e dos empregadores.

  • INFLAÇÃO

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice de inflação medido pelo IBGE, apresentou inflação de 0,24% em julho, contra deflação de 0,23% em junho.

No mês, o grupo Alimentação e Bebidas, que tem participação de 25% no índice, apresentou terceiro mês consecutivo de queda, dessa vez de 0,47%. No entanto os grupos Habitação e Transportes puxaram o índice para cima. Habitação cresceu 1,64%, o maior responsável foi a energia elétrica que com a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela (cobrança adicional de R$ 2,00 por 100Kwh consumido), em 1º de julho, teve impacto de 0,2 p.p. no IPCA.

E o grupo Transportes aumentou 0,34%, com destaque para os combustíveis, com variação de 0,92%. Em julho, o litro do etanol ficou 0,73% mais caro e a gasolina 1,06%, isso ocorreu principalmente devido ao aumento da PIS/COFINS, decretado em 20 de julho.

Assim, o resultado do IPCA nos primeiros sete meses do ano acumulou 1,43%. Em 2016, no mesmo período acumulava 4,96%. O acumulado em doze meses caiu para 2,71%, abaixo dos 3,0% do mês anterior, menor acumulado desde de fevereiro de 1999, quando foi de 2,24%.

Segundo o último Boletim Focus do Banco Central (25/08/2017), o mercado espera que o IPCA registe 0,44% no mês de agosto. Já com relação ao esperado para o final do ano, o mercado acredita que o índice oficial de inflação encerrará 2017 em 3,45%.

  • TAXA DE JUROS

A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) já foi discutida em nosso relatório de junho e ocorreu nos dias 25 e 26 de junho, na qual foi decidido por unanimidade continuar o ritmo no corte da taxa Selic, com novo corte de 1,0 p.p. levando a taxa de juros básica da economia brasileira para 9,25% ao ano, sem viés.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 5 e 6 de setembro. O Copom afirmou no último comunicado que a manutenção do ritmo de cortes na taxa Selic vai depender da permanência das condições atuais e das estimativas quanto a extensão do ciclo. A manutenção do ritmo para as próximas reuniões depende disso e da evolução da atividade econômica, projeções e expectativas quanto a inflação.

As expectativas do mercado para a taxa Selic no final do ano, expressas no último Boletim Focus do Banco Central (25/08/2017), anterior a última decisão do Copom, estão em 7,25% a.a., como expresso nas últimas semanas. Para 2018, as expectativas também estão em 7,5% a.a.

  • TAXA DE CÂMBIO

Em julho a taxa de câmbio acumulou queda de 6%, saindo de R$3,30/US$ no dia 3 para R$3,11/US$ dia 31 de julho. Foi a maior queda mensal em treze meses e a mais forte para julho desde 1999, quando ocorreu a mudança do regime cambial. O resultado mensal foi fruto do cenário externo mais positivo, que beneficiou o conjunto das moedas emergentes e arrefecimento das tensões políticas locais.

Assim a cotação da moeda americana retornou a patamar anterior a delação da JBS.

Segundo o último Boletim Focus (25/08/2017), o mercado espera que a taxa de câmbio encerre o ano em R$ 3,23/US$. Entretanto, ao longo do segundo semestre o câmbio deve ser impactado por fatores internos, como a política, o andamento das reformas e a retomada do crescimento; e fatores externos, como o crescimento das economias, a política monetária dos países centrais e os preços das commodities.

  • BALANÇA COMERCIAL

As contas externas brasileiras continuam a apresentar comportamento positivo e a surpreender positivamente. No mês de julho o saldo da Balança Comercial ficou positivo em US$ 6,29 bilhões, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), recorde do mês para a série histórica iniciada em 1989. O resultado foi menor que o superávit de junho, que havia sido de US$ 7,1 bilhões. As exportações somaram US$ 18,7 bilhões em julho, com queda de 5,4% em relação a junho. Já as importações atingiram US$ 12,6 bilhões, e ficou estável na comparação com o mês anterior.

No acumulado no ano, o saldo comercial está em US$ 42,2 bilhões. As exportações somam US$ 126,4 bilhões e as importações US$ 84,1 bilhões. O resultado é recorde na série histórica. O MDIC prevê saldo de US$ 60 bilhões no acumulado no ano. Já o mercado estima um superávit de US$ 61,3 bilhões para 2017 (Boletim Focus, 25/08/2017).

As transações correntes apresentaram déficit de US$ 3,4 bilhões em julho, segundo o Banco Central, interrompendo a sequência de superávits observada nos últimos quatro meses. O resultado foi influenciado pelo saldo comercial somado ao déficit de US$ 3 bilhões na conta de serviços e de US$ 6,6 bilhões na conta de rendas.

O resultado das transações correntes acumulado em doze meses, encerrados em maio, registrou déficit de US$ 13,8 bilhões, o equivalente a 0,71% do PIB. Em junho, esse indicador estava em US$ 14,3 bilhões, o equivalente a 0,76%.

  • CONTAS PÚBLICAS

As contas do Governo Central, formadas pelo Tesouro Nacional, Previdencia Social e Banco Central, registraram déficit primário de R$ 20,2 bilhões em julho, segundo o Tesouro Nacional. No mês anterior ocorreu superávit primário de R$ 19,8 bilhões. Essa mudança é explicada em grande parte pelo efeito sazonal da arrecadação da 1ª cota ou cota única do CSLL e participação especial de petróleo e gás e do lado da despesa os aumentos com pessoal e de subsídios e subvenções em julho.

No acumulado até julho, o déficit primário do Governo Central é de R$ 76,3 bilhões, no mesmo período de 2016 o déficit era de R$ 57,6 bilhões. Segundo o Tesouro, essa diferença é explicada pela redução na receita líquida (3,1%), devido a receitas discricionárias da outorga de 29 usinas hidroelétricas em 2016 e comportamento negativo de indicadores que influenciam a arrecadação em 2017. A despesa total se manteve praticamente constante.

As expectativas do mercado para o Resultado Primário do Governo Central no final do ano, segundo o último Relatório Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda (13/07/2017) apontam para déficit de R$ 154 bilhões. Os resultados ruins somados às expectativas do mercado fizeram com que o governo federal enviasse para o congresso a proposta para revisão da meta de um déficit de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões, exposta no início do texto.

A Dívida Pública Federal (DPF), segundo o Relatório Mensal da Dívida de julho, divulgado no dia 28 de agosto, atingiu R$ 3,34 trilhões, queda em termos nominais de 0,48% em relação aos R$ 3,35 trilhões de junho. Para o final do ano, o Plano Anual de Financiamento (PAF) prevê que a DPF deve ficar entre R$ 3,45 trilhões e R$ 3,65 trilhões.

A Dívida Pública Federal Interna (DPFi) reduziu 0,27% em comparação com junho, atingindo R$ 3,22 trilhões (96,52% da DPF) em julho. Isso ocorreu devido ao resgate líquido de R$ 31,41 bilhões compensado em partes pela apropriação de juros de R$ 22,72 bilhões. O estoque da Dívida Pública Federal Externa (DPFe) também caiu 6,21% no mês, encerrando julho em R$ 116,4 bilhões (3,48% da DPF), isso em função da valorização do real frente a moedas que compõe a dívida e pelo resgate líquido de R$ 2,54 bilhões.

Com relação a composição, a parcela de DPF composta por títulos prefixados caiu para 34,27%, por títulos indexados a índice de preços aumentou para 30,28%, a parcela remunerada por taxa flutuante subiu para 31,85% e atrelada à variação cambial reduziu para 3,60%. Todos dentro dos limites previstos no PAF.

O prazo médio da DPF aumentou no período, de 4,41 anos em junho para 4,44 em julho, e a porcentagem que vence em 12 meses diminuiu de 14,96% para 14,69%. A PAF prevê prazo médio entre 4,2 e 4,4 anos e porcentagem com vencimento nos próximos 12 meses entre 16 e 19%. Ambos estão fora do previsto, porém em situação melhor que o estipulado. O custo médio acumulado nos últimos 12 meses da DPF reduziu de 11,40% em junho para 10,89% em julho.

  • MERCADO IMOBILIÁRIO

No último mês foram divulgados alguns indicadores sobre o mercado imobiliário. Esses dados ajudam a fornecer um panorama do setor no primeiro semestre de 2017. No dia 31 de agosto, a Câmara Brasileira da Industria da Construção (CBIC) divulgou uma pesquisa que abrange dados do setor em 18 regiões metropolitanas.

Os dados dessa pesquisa mostram que ocorreu aumento das vendas ao longo dos seis primeiros meses do ano. Por outro lado, os lançamentos mostraram redução, de certa forma pressionados pelos estoques ainda elevados. Mas o aumento nas vendas com menor número de lançamentos tem levado a redução nos estoques, deste modo, para o segundo semestre deve haver espaço para novos lançamentos no setor.

Na comparação do primeiro semestre de 2016 e de 2017, ocorreu queda de 22,21% nas unidades lançadas, passando de 29.854 para 23.239 e queda menos acentuada de 5,06% nas unidades vendidas, que foram de 40.913 para 38.841, de forma a evidenciar a tendência de redução dos estoques. Também se verificou predominância de negócios com imóveis de dois dormitórios, eles representam 74% dos lançamentos e 65% das vendas no trimestre, reforçando essa tendência histórica do mercado brasileiro.

ANEXO I

Elaboração própria.

Elaboração própria.

Vinícius Trevisan – Economista-chefe